Guimarães Jazz 2018

Guimarães Jazz 2018

No terceiro milénio, e ao fim de mais de cem anos de história, tal como ficou devidamente assinalado na edição anterior do festival, o fenómeno jazzístico encontra-se perante questões de identidade muito sérias. Porém, ao invés de transmitir sintomas de esgotamento, o jazz parece ter compreendido que a solução para as suas questões passa pela necessidade de esta música se pensar e olhar a partir de fora para dentro.
No contexto do Guimarães Jazz, e essa é a linha orientadora que atravessa o programa da edição de 2018 do festival, olhar de fora para dentro desta música implica explorar geografias alternativas ao território nativo do jazz, divulgar o trabalho de músicos jovens que nasceram quando o jazz se tinha já implementado plenamente na cultura moderna como uma das mais expressivas linguagens musicais e artísticas do século XX, dar espaço a músicos que se distinguiram em territórios musicais mais próximos das correntes experimentais e vanguardistas da música contemporânea e, por último, programar músicos menos mediáticos e inseridos em circuitos mais informais e artisticamente flexíveis. No fundo, a perspetiva que se assume nesta edição do Guimarães Jazz é assente numa vontade de explorar zonas criativas de contrainformação, assumindo uma crítica em relação ao presente da música e do mundo, e afirmando sobretudo a necessidade de reflexão em torno dos processos entrópicos e autofágicos, baseados em estímulos imediatos e sentimentos ilusórios de pertença, que caraterizam tanto a criação como o consumo na música no século XXI.
Do programa da edição de 2018 do Guimarães Jazz destaca-se, desde logo, o facto de contemplar a realização de treze concertos em dez dias consecutivos, algo que acontece pela primeira vez na história do festival. Este é um dado importante, uma vez que tem como consequência uma mais efetiva e constante presença da música na cidade e na agenda dos seus espetadores, contribuindo assim para aproximar ainda mais os músicos e as pessoas que organizam o festival do seu público. Apesar deste dado novo, o Guimarães Jazz continua a ser, tal como é a sua matriz desde o início, um festival equilibrado, refletindo-se esse equilíbrio em várias dimensões: na notoriedade e na idade dos músicos envolvidos, na tipologia das formações, na proveniência geográfica dos projetos e nas estéticas musicais representadas.
De entre os concertos de maior perfil, é justo destacar a presença de três nomes incontornáveis da história mais recente do jazz – o contrabaixista Dave Holland, o trompetista Dave Douglas e o também trompetista, compositor e arranjador Steven Bernstein –, músicos que, embora com percursos em contextos artísticos muitos diferentes entre si, contribuíram decisivamente para moldar a forma atual do jazz. Tanto o projeto Aziza, de Holland, como Uplift, de Douglas, como a Millennial Territory Orchestra de Bernstein, constituem provas irrefutáveis da plena vitalidade musical de três dos grandes músicos da atualidade. Além do mais, estes três projetos têm a particularidade de contarem com a participação de músicos influentes da música contemporânea, de entre os quais é justo realçar a presença de Bill Laswell, baixista e produtor, e da vocalista Catherine Russell, duas figuras que, apesar de se expressarem em linguagens musicais muito díspares, podem ser considerados exemplos de uma invulgar postura de integridade artística e anti-estrelato.
Em 2018, um dos traços mais marcantes do Guimarães Jazz é a atenção prestada à nova geração do jazz. Nesse sentido, serão apresentados concertos de dois nomes emergentes da cena jazzística de Chicago (uma das cidades mitológicas do jazz, que continua a dar mostras de renovação e vitalidade musicais): o trompetista Marquis Hill e o contrabaixista Matt Ulery, que, além do concerto com o projeto Delicate Charms, orientará as oficinas de jazz e as jam sessions e dirigirá a Big Band e o Ensemble de Cordas da ESMAE. A cada vez mais relevante dinâmica global da cena jazzística justifica também a presença no festival do trompetista israelita Avishai Cohen (um músico de grande nível que tem editado nos últimos anos pela prestigiada editora ECM) e do projeto Cartas Brasileiras, liderado pela flautista e compositora Léa Freire, que no festival se apresentará acompanhada pela Orquestra de Guimarães.
A exploração de geografias alternativas ao jazz norte-americano ficará, em 2018, também patente nos concertos programados para o Pequeno Auditório do CCVF, onde atuarão o Pablo Held Trio (um dos exemplos da qualidade dos projetos de jazz alemães) e a idiossincrática banda Random/Control, liderada pelo talentoso pianista austríaco David Helbock. É também neste contexto que se apresentará o acordeonista português João Barradas, um músico notável cuja carreira se encontra numa trajetória de crescente notoriedade e reconhecimento internacional e que, em Guimarães, se apresentará em quarteto acompanhado por músicos europeus emergentes e que terá como convidado especial o saxofonista norte-americano Greg Osby.
A colaboração com, por um lado, a Associação Porta-Jazz e, pelo outro, com a ESMAE volta a realizar-se, reafirmando a aposta do festival nos jovens músicos portugueses, e neste ano, como é habitual, realizam-se as oficinas de jazz e as jam sessions, extensões do festival que constituem uma das dimensões mais importantes da sua implantação na cidade e no meio jazzístico, ao mesmo tempo que contribuem para potenciar a formação e o crescimento musical dos jovens músicos do país.
O Guimarães Jazz encerrará a sua edição de 2018 com The Mingus Big Band, um concerto de homenagem a Charles Mingus que será, certamente, um dos momentos altos do festival. Liderado pela viúva do homenageado, esta big band é composta por instrumentistas de altíssimo nível e considerada como um dos projetos mais artisticamente relevantes de revisitação das obras de compositores de jazz. Numa altura em que o futuro da música, e do mundo, se afigura difuso e difícil de antecipar, faz todo o sentido regressarmos a Charles Mingus, um dos nomes mais influentes da música do século XX, e inspirarmo-nos no seu exemplo de integridade e audácia artísticas, que hoje, mais do que nunca, julgamos ser importante celebrar e divulgar, projetando-o no futuro. Ivo Martins

QUINTA 08 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
AZIZA featuring Dave Holland, Chris Potter, Kevin Eubanks and Eric Harland
Preço 15,00 eur / 12,50 eur c/d | COMPRAR

SEXTA 09 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
Marquis Hill Modern Flows
Preço 15,00 eur / 12,50 eur c/d | COMPRAR

SÁBADO 10 NOVEMBRO
CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 18H30
Pablo Held Trio
Preço 10,00 eur / 7,50 eur c/d | COMPRAR

SÁBADO 10 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
Steven Bernstein`s Millennial Territory Orchestra with Catherine Russell
Preço 15,00 eur / 12,50 eur c/d | COMPRAR

DOMINGO 11 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 17H00
Big Band e Ensemble de Cordas ESMAE dirigida por Matt Ulery
Preço 7,50 eur / 5,00 eur c/d | COMPRAR

DOMINGO 11 NOVEMBRO
CIAJG / BLACK BOX / 21H30
Projeto Guimarães Jazz / Porta-Jazz
Preço 7,50 eur / 5,00 eur c/d | COMPRAR

SEGUNDA 12 NOVEMBRO
CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 21H30
David Helbock`s Random/Control
Preço 10,00 eur / 7,50 eur c/d | COMPRAR

TERÇA 13 NOVEMBRO
CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 21H30
João Barradas “Own Thoughts From Abroad” com Greg Osby
Preço 10,00 eur / 7,50 eur c/d | COMPRAR

QUARTA 14 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
Orquestra de Guimarães com Léa Freire Quarteto “Cartas Brasileiras”
Preço 10,00 eur / 7,50 eur c/d | COMPRAR

QUINTA 15 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
Dave Douglas UPLIFT featuring Jon Irabagon, Mary Halvorson, Rafiq Bhatia,
Bill Laswell & Ches Smith
Preço 15,00 eur / 12,50 eur c/d | COMPRAR

SEXTA 16 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
Avishai Cohen Quartet
Preço 15,00 eur / 12,50 eur c/d | COMPRAR

SÁBADO 17 NOVEMBRO
CCVF / PEQUENO AUDITÓRIO / 18H30
Matt Ulery`s Delicate Charms
Preço 7,50 eur / 5,00 eur c/d | COMPRAR

SÁBADO 17 NOVEMBRO
CCVF / GRANDE AUDITÓRIO / 21H30
The Mingus Big Band
Preço 15,00 eur / 12,50 eur c/d | COMPRAR

ATIVIDADES PARALELAS

Segunda 05 a Sábado 17 novembro
Vários locais da cidade
Animações Musicais

Quinta 08 a Sábado 10 novembro
Convívio Associação Cultural / 24h00-02h00
Jam Sessions
Matt Ulery, Zach Brock, Greg Ward, Quin Kirchner, Rob Clearfield

Segunda 12 a Sexta 16 novembro
Centro Cultural Vila Flor / 14h30-17h30
Oficinas de Jazz
Matt Ulery, Zach Brock, Greg Ward, Quin Kirchner, Rob Clearfield

Quinta 15 a Sábado 17 novembro
CCVF / Café Concerto / 24h00-02h00
Jam Sessions
Matt Ulery, Zach Brock, Greg Ward, Quin Kirchner, Rob Clearfield
Preço 3,00 eur / 2,00 eur c/d

ASSINATURAS

ASSINATURA DO FESTIVAL (acesso a todos os concertos)
Preço 80,00 eur | COMPRAR

ASSINATURA 6 CONCERTOS (à escolha)
Preço 65,00 eur | COMPRAR

ASSINATURA 3 CONCERTOS (à escolha)
Preço 35,00 eur | COMPRAR