Peixes! Aquacultura vs Selvagem

Peixes! Aquacultura vs Selvagem

Comecemos por acordar…
Temos logo um jantar entre amigos e sabia bem um peixinho na brasa…

Vamos comprar qual, onde e que quantidade? Questões que nos afetam o discernimento da conclusão.

Apresento-vos várias razões para que no futuro possam ter certezas nas vossas opções e escolhas próprias.

Para mim, o peixe é como a alface: comprarei o melhor ao nível do orçamento do momento e finalidade da sua utilização… Incluo nessa escolha, a possível utilização de peixe de aquacultura.

Para esmiuçar a questão colocada, e reparem que comecei pela liberdade de escolha e não dogma relacionado para vos influenciar em ir num determinado sentido, imaginem que tenho 10 euros para gastar num peixe e quero assar no forno. Escolheria carapaus crescidos selvagens ou uns sargos de cultura de crescimento aquática.

E esta seria a minha lógica, assumir que compraria em função de várias opções e finalidades. E sim, eu também estou sujeito ao que a vida me dá e nem sempre posso comer cherne… o que não me importaria! Porém não é opção diária, até porque temos peixe bem mais barato e que aprecio bastante.

Evito os peixes de aquacultura e prefiro um bom carapau ou cavala, a um mau robalo ou má dourada. E prefiro sempre fresco a congelado. Daí que eu próprio como pouco marisco.

Falemos das diferenças entre ambos. Se vão à vossa peixaria de confiança, e eu procuro comprar sempre no canal que me serve e me satisfaz, ou seja, comércio tradicional de forma e ter garantias de frescura e seriedade. Mas se o fizer num outro local do género hipermercados, hoje possivelmente e mesmo que não entendesse nada do assunto, dificilmente seria enganado. Atualmente, pela lei é necessário qualquer peixe exposto apresentar, entre vários indicadores, a sua origem geográfica, arte de pesca, entre outros.

Vejamos por exemplo as douradas, a espécie pioneira na questão, entre nós. Se porventura não tiverem indicações de origem, e atenção que é frequente haver pequenas burlas junto por exemplo das peixeiras ambulantes nas vilas piscatórias, procurem reparar nestes quatro indicadores eficazes: aquacultura faz os peixes terem a barriga gorda, branca, olhos brancos e interior da boca negro, para alem do cheiro a palha (ração), lodo e não a mar. No motivo selvagem, o peixe estará mais elegante, pois tem um oceano pela frente para fazer esforço e não engordar, é marcadamente cinzento prateado e brilhante, a boca é rosada viva, os olhos brilham e tem tons de vermelho sangue no círculo ocular. O cheiro é mar puro e com influência do iodo.

De salientar que o pescado de aquacultura é susceptível de ter mercúrio na sua textura, visto que a massificação de crescimento e a concentração de animais por metro cúbico de agua provoca aumento da poluição e da concentração de metais pesados, provenientes da medicação, das hormonas e da alimentação, assim como a atividade industrial à volta do fenómeno.

Hoje temos cada vez mais espécies de peixe, de aquacultura, de origens diferentes, e eu como consumidor privilegio a origem atlântica pela capacidade de renovação do próprio iodo e oxigénio na questão da cultura de crescimento em detrimento do oceano índico e do mar mediterrânico.

Este contexto serve para o marisco.

Depois temos a questão do transporte e do tratamento visual…

Outra situação tem a ver com a restauração. Muitas vezes podermos estar a pagar peixe selvagem e comer peixe de cultura aquática. Para isso, usem os indicadores acima, exijam ver sempre o peixe, e mesmo assim, se por alguma razão perderam o caminho visual do mesmo, não se deixem enganar no prato, cuidado com isso!

O peixe de aquacultura vai ter a espinha negra e não branca, vai ser muito mais gorduroso que o selvagem, e nem por um momento vos dará sensação de mar, mas sim de lata de conserva… Levantem-se e imponham a vossa lei de consumidores!

Só outra questão, o peixe de aquacultura pode ser por vezes mais fresco que o selvagem, mas o selvagem irá cheirar a mar durante uns 3 dias, e será mais firme pelo seu todo.

Se me permitem conselhos para jantar fora das vossas casas para um bom Peixe… fujam para a beira-mar! Procurem os clássicos, mas sempre confiando-desconfiando!