A Profissionalização da Restauração

A PROFISSIONALIZAÇÃO DA RESTAURAÇÃO

Vou começar por abordar da forma mais simples e direta, o maior problema da qualidade média do estado da indústria da Restauração e Hotelaria deste país…

Eu não consigo ser Advogado, nem Mecânico… Primeiro não tenho habilitações académicas e segundo não tenho habilitações técnicas. Como tal, nem consigo abrir um escritório de Advogados, nem uma Oficina Auto.

Julgo, que já devem imaginar o que aí vem no meu artigo.

Pois bem, hoje em dia e talvez desde sempre, a indústria da Restauração ou similar, sempre foi um campo empresarial de refúgio, para muitos os que gostariam de ser empresários no seu próprio emprego.

Sabemos que nos anos 80 e 90, sobretudo, haviam alguns argumentos fortes para qualquer pessoa poder ser empresário da restauração e melhorar a sua vida financeira. Sobretudo por duas razões: a primeira pela baixa exigência e cultura gastronómica de serviço do consumidor, e a segunda por clara falta de profissionalismo na política fiscal deste país, que provocava e permitia manobras e fugas de responsabilidades fiscais sobre os resultados do negócio.

Hoje ainda vivemos parte desses problemas e juntamos mais alguns, onde destaco o principal:
Porque é que todos os que desejam abrir um Café, um Restaurante ou uma Pastelaria, o podem fazer e o conseguem fazer???

Porque é que eu, se gostasse (que não gosto), de mecânica nunca poderia abrir uma Oficina?
Simples! Porque não entendo nada de mecânica.

Porque é que eu, se gostasse (que não gosto), de medicamentos nunca poderia abrir uma Farmácia?
Simples! Porque não tenho AUTORIZAÇÃO TÉCNICA E OFICIAL para o fazer.

Mas, neste País, um Farmacêutico ou um Mecânico podem abrir um espaço de Restauração, podem servir copos, cozinhar e se a coisa correr bem, até podem ir fazê-lo em direto na TV.

A restauração deste País vive um atentado geral diário, em que já não basta a mentira do negócio cultural em torno da refeição económica (o vulgar menu chamado DIÁRIA), que limita a seriedade do negócio, que permite a continuidade das manobras de fuga fiscais, permite a proliferação de empresas de distribuição alimentar que nada mais vendem que banha da cobra, que limita a venda de comida séria e bem executada, que permite a escravização dos funcionários… Tudo isto para que o “Empresário” sobreviva, sob pena de no cumprimento sério das suas obrigações, poder certamente ter de encerrar o negócio.

Culturalmente, uma boa parte do consumidor Português, por falta de provisões e por falta de cultura gastronómica, permite-se a frequentar locais e a ingerir comida pouco séria. E isto acontece porque, não há forma de se alterar isto, se não for pela profissionalização do setor, assente em determinados pressupostos. Tais como: certificação do Gerente, que tem de dar provas de aptidão para poder assinar a abertura e a progressão do negócio. Certificação dos manipuladores, ou seja, para se poder assumir uma cozinha, uma sala, um balcão, os funcionários terão de ter certificados de aptidão, provas de conhecimento, de óbvia noção das coisas, das realidades.

Porque é tão fácil abrir um Restaurante e depois fechar alguém numa cozinha 14 horas ou mais por dia, 6 dias por semana, mesmo que essa pessoa nunca tenha estrelado um ovo. Só porque achou que pode ter um Restaurante. Assim como é fácil, e eu tenho inúmeras histórias dessas quase diárias, porque já sou consultor há 13 anos, ver um ex-gestor de empresas, só porque faz uns petiscos em casa para os amigos, abrir uma pregaria numa rua famosa do Porto, com rendas mirabolantes e telefonar desesperado, porque não tem clientes…
Não tem clientes, porque não comunica e os poucos que entram não entendem 30  minutos de espera, serem servidos de comida fria, entre outras coisas que esta vaga de empreendedores da restauração nos presentei-a a  cada dia que passa.

E O TURISMO NÃO PODE VALER TUDO, porque não vale… Pois só cá vêm uma vez… e um dia… não vem mais ninguém…

Por isso, dedico esta ultima frase a todos os que lutam por uma Restauração melhor…
Por todos os que investiram no seu conhecimento, se certificaram, se profissionalizaram, que têm o seu valor, e veem todos os dias esse valor ser colocado em causa, pela competição de quem nada entende disto, e nem uma aula teve para estrelar um ovo ou servir um vinho…

Isto só termina com regras bem explícitas… Restauração é para restauradores certificados. Hotelaria, para hoteleiros certificados. Farmácias, para farmacêuticos certificados. Oficinas, para mecânicos certificados.